O substantivo masculino balandrau (da forma latina hipotética balandra), designa a
antiga vestimenta, com capuz e mangas largas, abotoada na frente; designa
também, certo tipo de roupa usada por membros de antigas confrarias, geralmente
religiosas.
Embora alguns autores insistam em dizer que o balandrau não é veste maçônica, o
seu uso remonta à primeira das associações de ofício organizadas (cujo conjunto é
hoje chamado de maçonaria de ofício, ou Operativa), a dos “Collegia Fabrorum”,
criada no século VI a.C., em Roma.
Segundo Steinbrenner, em “História da Maçonaria”, os collegiati, quando se
deslocavam pela Europa, seguindo as legiões de soldados romanos, para reconstruir
o que ia sendo destruído pelos conquistadores, portavam uma túnica negra. À
semelhança deles, os membros das confrarias operativas dos francos-maçons
medievais (século XIII em diante), quando viajavam para outras cidades, outros
feudos ou outros países, usavam um balandrau negro.
Os que condenam o uso do balandrau costumam afirmar que o Maçom deveria
apresentar-se nas Sessões das Lojas, vestindo terno preto, camisa branca, gravata,
sapatos e meias pretas; isto é altamente discutível. Tome-se por exemplo as regiões
quentes nos Estados Unidos, onde os Maçons costumam trabalhar em mangas de
camisa, portando o avental, evidentemente, pois traje maçônico mesmo, é o
avental, já que sem ele o Maçom é considerado nu.
Na realidade, discutir traje ( além do verdadeiro traje, que é o avental), na
Maçonaria, é o mesmo que discutir o sexo dos anjos, pois, sabendo-se que o traje masculino sofre variações através dos tempos, variando, inclusive, de povo para
povo, na mesma época, é evidente que não se pode determinar a maneira de trajar.
É permitido, por exemplo, em qualquer lugar do mundo, o uso de roupas típicas para
Maçons estrangeiros (o albornoz árabe, por exemplo), ou o uso de uniforme, por
parte dos militares, desde que estejam, é claro, com seu avental maçônico.
A existência de traje a rigor para os Maçons, mostra grande dose de influência
clerical, significando o traje como sinal de respeito, o que, realmente, é inadmissível,
já que a consciência do Homem está em seu interior, e não na sua roupa. A Igreja,
que é bastante conservadora, já tem abandonado esta exigência; com mais razão,
deve faze-lo a Maçonaria que, sendo evolutiva e progressista, não comporta
anacronismos.
Que fique bem claro que traje maçônico é o avental, mas sob ele deve haver uma
roupa decente; e o balandrau, como roupa decente, pode uniformizar o traje, o que
é também, uma forma de mostrar a igualdade maçônica, evitando as ostentações do
vestuário. E jamais nos esqueçamos que o balandrau já foi traje dos Maçons de
Ofício.
Só é preciso ter em mente que o balandrau (que
também é usado pelos Expertos,
em algumas cerimônias) é veste talar, ou seja, deve se estender até os talões,
ou calcanhares.
Tese de José Castellani (Publicado na revista A TROLHA n◦ 52 de fevereiro de 1991)
A Nobre Arte da Mac.´., seus ritos, sua história e sua participação na Sociedade.
sábado, 13 de junho de 2015
terça-feira, 24 de março de 2015
O Maçom no Brasil do Séc. XXII
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I
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nício do Século XXI e nos perguntamos
como estará nosso mundo daqui há 100 anos. Como será nossa vida, nosso dia a
dia, e o que a evolução da tecnologia, que não desacelera, irá nos trazer para
superar o já tecnológico Século XX?
O XXI nasceu como a era dos
celulares, ou melhor, dos “smartphones”,
aparelhos que apresentam variedade incrível de modelos, cores, pesos e até de formatos,
como os relógios e que já são comuns no mercado.
A tecnologia também é outro fator
surpreendente. São tantas “coisas” que podemos fazer hoje com um telefone,
desculpem, com um “smartphone”, que
se por um lado fica difícil pensar em novidades, por outro, faz com que nossa
imaginação voe cada vez mais - pense nos “dromes”.
Dizem que é possível fazer de tudo
com eles, os “smarts”, inclusive
usá-los como simples telefone, embora para este uso temos visto mais
dificuldades do que usá-los para jogos, fotografias, internet ou mesmo para
ligar uma TV.
E nessa linha fica a reflexão: será
que haverá espaço para a sobrevivência de uma sociedade de homens que se
apresenta ainda restrita, com usos e costumes de séculos passados? O que poderemos
aspirar, tanto para a Órdem quanto para o maçom do próximo século? Para o maçom
no Brasil do Século XXII.
Ao viajarmos nesse pensamento, não podemos
deixar de pensar na cadeia de nossa sobrevivência, que vai da qualidade de
nosso planeta até as atitudes mais simples das regras de convivência em nossa
sociedade.
O otimista supera a realidade da destruição
de florestas e das geleiras, do calor, que a cada ano bate novos recordes, e das
crises de energia e água, com a esperança de novas tecnologias e o desenvolvimento
de engenhocas cada vez mais modernas, além da conhecida adaptação do homem ao
seu universo, como bem descreveu Darwin.
O pessimista trata o futuro com
base na própria história da humanidade, que apresenta de tempo em tempo,
terríveis ciclos de destruições e catástrofes, como o fim dos dinossauros, a
queda dos 500 anos de império romano, as guerras mundiais e mesmo doenças como
a gripe espanhola e a AIDS, ou seja, a qualquer momento uma nova e grande
tragédia vai mudar o mundo e porque não nos próximos 100 anos?
Toda cautela é pouca, mas entre um
e outro, preferimos uma posição mais central, “nem muito ao mar, nem muito a
terra”, como diriam nossos pais, ou nossos avós, em séculos passados. Mas antes de pensarmos no futuro, vamos olhar
um pouco para o passado. Para os idos de 1822, o ano de nossa Independência,
que segundo Laurentino Gomes, no seu livro “1822” (Editora Nova Fronteira,
2010), era um Brasil que “...tinha, de fato, tudo para dar errado...”. Um
momento de “... população pobre e carente de tudo, ... economia agrária e
rudimentar, dominada pelo latifúndio e pelo tráfico negreiro... O analfabetismo
era geral... As perspectivas de fracasso, portanto, pareciam bem maiores que as
de sucesso...”, e o “... Brasil conseguiu manter a integridade do seu
território e se firmar como Nação independente...". E 1822 foi também um
marco para a Maçonaria no Brasil.
No início daquele século, em 1801,
foi instalada a primeira loja maçônica brasileira, composta praticamente de
homens ligados à nobreza e seus descendentes. Era filiada ao Grande Oriente da
França, na época, praticamente um instrumento nas mãos de Napoleão Bonaparte.
Em menos de uma década, a partir de
1809, foram fundadas várias lojas no Rio de Janeiro e Pernambuco, e em 1813
criado o primeiro Grande Oriente Brasileiro, sob a direção de Antonio Carlos
Ribeiro de Andrada e Silva, com a clara missão de se afastar da submissão ao
Grande Oriente de Lisboa. Era mais um passo para a Independência do Brasil, um
desejo do povo brasileiro que crescia a cada dia, principalmente entre os
maçons.
Se por um lado as opiniões
controversas sobre a influência da Maçonaria nas Revoluções Francesas permeavam
a corte no Brasil, por outro, os ideais da Independência eram cada vez mais
fortes, motivado principalmente pelas conquistas na América Latina.
No entanto vinha dos Estados
Unidos, a maior influência na reforma constitucional em busca da soberania. O
grande país da América do Norte declarou sua Independência em 1776 e a
conquistou por definitivo em 1783, após vencer a guerra contra a colonização
inglesa, com apoio da França e Espanha e principalmente dos maçons,
responsáveis diretos pela formação e transformação do país. É possível afirmar
que os EUA nasceu maçom.
Em 1787 foi aprovada a sua
Constituição, e em 2 de outubro de 1789, elaborado a primeira Declaração dos
Direitos do Homem e do Cidadão, onde estavam presentes os valores do Iluminismo
de Rousseau, ou seja, da liberdade e da igualdade civil, do primado da lei, da
propriedade, da necessidade da contenção do poder soberano, da Constituição, da
separação de poderes, etc. Era essa a maior mensagem para o maçom brasileiro,
que desejava não somente cortar as
amarras de Portugal mas também constituir sua soberania livre e de bons
costumes. E esse afastamento de Portugal serviria também para se livrar dos
olhos de Napoleão que caminhava para
aumentar seus domínios na Europa.
A Maçonaria, pelas mãos dos irmãos
Andradas, transformou-se num centro de atividade política, base para a difusão
dos ideais do liberalismo. E em maio de 1822 se instalou no Rio de Janeiro o
Grande Oriente Brazílico, com José Bonifácio de Andrada e Silva o seu primeiro
Grão-Mestre, na época muito questionado por outros maçons pela criação da
também sociedade secreta, o Apostolado, que apoiado por três colunas
fundamentais (Palestras), na primeira delas aparecia a denominação de “Independência
ou Morte”, que pouco tempo depois seria utilizado como lema de nossa
independência.
Sob a liderança de Gonçalves Ledo, a
Loja “Comércio e Artes” trabalhava de forma incansável pela Independência do
Brasil, com destaque para o maçom, Capitão-mor José Joaquim da Rocha, responsável
pelo planejamento que resultou no “Dia do FICO”, ato de D. Pedro contra a Corte
de Lisboa, que insistia em seu retorno a Portugal.
Para Gonçalves Ledo e outros
líderes maçônicos, a coroação do movimento viria com a própria iniciação de D.
Pedro, o futuro Imperador do Brasil, nos mistérios da Maçonaria, assim como foram
outros Imperadores da Europa e os primeiros Presidentes dos EUA.
E no dia 2 de agosto de 1822, na
Loja “Comércio e Artes”, por proposta de José Bonifácio, o então Príncipe D.
Pedro, que recebeu o nome histórico de “Guatimozim”, em homenagem ao último
imperador Asteca morto em 1522, foi iniciado e elevado à Mestre, e em seguida
alçado ao posto de Grão-Mestre da Maçonaria no Brasil, o que comprovaria sua
íntima ligação com a causa da Independência.
Na histórica sessão de 20 de
agosto de 1822, presidida por Gonçalves Ledo, e com D. Pedro ausente, por
viagem à São Paulo, foi proposto, e aprovado por unanimidade, “que fosse inabalavelmente firmada a proclamação
de nossa independência e da realeza constitucional na pessoa do augusto
príncipe”. Era a proclamação de D.
Pedro como Imperador pelos maçons, e que resultou na consagração da
Independência em 7 de setembro quando o então Príncipe retornava para o Rio de
Janeiro.
A crise aumentou com o confronto
direto entre dois grupos de maçons brasileiros. De um lado, José Bonifácio de
Andrada e Silva, o Patriarca da Independência do Brasil, Ministro de Dom Pedro
I, defensor da última monarquia da América Latina e Grão-Mestre do GOB, que liderava
a facção Maçonaria Azul. Do outro, seu 1º Grande Vigilante, Joaquim Gonçalves
Ledo, líder dos maçons da Maçonaria
Vermelha, que lutavam ao lado dos
radicais liberais defensores de uma República no Brasil.
E o Imperador, diante dessas
lutas e rivalidades entre os próprios maçons, fechou o Grande Oriente, mas não
calou os verdadeiros maçons. A busca pela liberdade e igualdade não tinha
terminado com a separação de Portugal. Os maçons perderam lideranças e passaram
a viver uma crise maior quando em 1864, o Papa Pio XI editou a bula Syllabus,
que proibia qualquer ligação da Igreja com a Maçonaria.
Com D.Pedro II no poder foi retornado
os laços com os maçons, que passaram a ocupar os principais cargos no Palácio.
Mas por ser um país de origem católica, a restrição imposta pela Igreja gerava
constantes conflitos. Vários padres
maçons negavam-se a aceitar a determinação de abandonar a Órdem, o que gerou
punições tanto por parte da Igreja quanto represálias por parte do Governo. Tal
situação se agravaria pois era de conhecimento do Império a participação ativa
de diversos grupos de maçons nos movimentos revolucionários em favor da
República, existentes mesmo antes de 1822 e denominados de conspiradores. Assim como a luta pela definição por um
Estado laico, com o afastamento da Igreja do poder.
O grupo de maçons contra a
monarquia cresce e passa a participar ativamente dos movimentos abolicionistas. E em 13 de maio de 1888 alcançou o auge com a
participação ativa na aprovação da Lei Áurea que libertaria de vez todos os
escravos no Brasil. Seria também uma mensagem direta pelo fim do Império e para
a implantação da República, que viria a se concretizar logo após a vitória da
Tríplice Aliança – Brasil, Argentina e Uruguai – na Guerra do Paraguai com o reconhecimento
pelo povo da força e importância do Exército, um verdadeiro viveiro de maçons.
Era o elemento que faltava para a criação da República.
O momento era crítico para o
reinado. O Imperador D. Pedro II encontrava-se doente e o Império decadente. As
elites latifundiárias continuavam contra a Princesa Isabel por sua assinatura
na Lei Áurea, e o povo em geral, não aceitava que o Conde D’Eu, um estrangeiro
de comportamento controvertido, pudesse ser o futuro Rei do Brasil. Foi quando Benjamin
Constant e Deodoro, em reunião secreta com as elites militares, republicanas e
maçônicas, decidiram pela queda do Império no Brasil.
Em 15 de novembro de 1889, o
Marechal Deodoro, autonomeou-se Chefe do Governo Provisório da República do Brasil,
instalando um ministério totalmente maçônico e filiado ao Grande Oriente do
Brasil. Na Justiça, Eduardo Campos Sales, Wandenkolk na Marinha, Benjamin
Costante na Guerra (Exército), Rui Barbosa indicado para a Fazenda (Finanças),
Demétrio Ribeira na Agricultura, Quintino Bocaiúva nos Transporte e Aristides
Lobo no Interior. E para consolidar a força da Maçonaria, no dia 19 de dezembro
do mesmo ano, o Chefe do Governo, Marechal Deodoro, foi nomeado Grão-Mestre do
Grande Oriente do Brasil.
Um ano depois, em 15 de novembro de
1890, foi instalada a Assembléia Constituinte que promulgou a Constituição de
24 de fevereiro de 1891 e implantou o presidencialismo e o federalismo na
República Federativa do Brasil. O governo provisório foi encerrado em 26 de fevereiro
do ano seguinte com a eleição de Deodoro como o Primeiro Presidente, e para
Vice-Presidente, o Marechal Floriano Peixoto, Ajudante General do Exército.
A República nasceu no meio de crises, principalmente entre o Exército e a Marinha, que não aceitava ter sido derrotada na eleição para a Vice-Presidência, e no dia 23 de novembro de 1891, o Marechal Deodoro se viu obrigado a renunciar ao cargo para não provocar uma guerra civil. Desgostoso e doente, no dia 18 de dezembro do mesmo ano, renunciou também ao Grão-Mestrado.
Assume o Vice-Presidente Marechal Floriano Peixoto, maçom
que passará à história como o Consolidador da República e que irá transmitir o
poder para os presidentes civis, a maioria deles maçons, que com o apoio de uma
sociedade secreta de origem alemã e maçônica, de ideais republicanos e
iluminista, a Burschenschaft, ou
simplesmente Bucha, ajudará a administrar o ciclo político conhecido como a
República Velha ou das Oligarquias, que durará até a Revolução de 1930. A partir de então a Maçonaria passa a perder o
poder de influência no Estado brasileiro.
Até a metade do século XX, a Maçonaria enfrentou períodos de
crises e perseguições, principalmente no decorrer das Grandes Guerras. O
pós-guerra, foi também turbulento, e a ação da maçonaria, inclusive no período
da ditadura militar, não foi relevante no cenário político. A partir do final
dos anos 70, o Brasil vive seu maior ciclo democrático, com fortalecimento das
instituições democráticas e republicanas, conquista a liberdade de expressão,
moderniza-se e melhora sua economia. Sem
participar de ações diretas ou indiretas, a atuação da Maçonaria passa a se
concentrar, salvo raríssimas exceções, nas áreas cultural e social.
O maçom volta-se mais para a ritualística, para o estudo da formação
do homem. Os Grandes Orientes e as Grandes Lojas se reúnem com o objetivo
principal de apreciarem e reverem seus mais diversos rituais vendo surgir, no
Brasil e no mundo, novos grupos de maçons independentes, inclusive femininos.
A dificuldade de realizar programas sociais, assim como a necessidade
de recursos para a própria sobrevivência, e a sensível redução do número de
iniciados, são motivos para que as Lojas continuem a restringir o acesso de
camadas sociais de menos recursos aos seus quadros, o que mantém a visão de
outras épocas, de que a Maçonaria é uma sociedade para as elites.
E essa é a característica do maçom do século XX, que contraria
para muitos a história de lutas e conquistas políticas da Maçonaria de séculos
anteriores. A nova realidade gera certo desconforto quando se deparam grupos
que defendem o retorno da Maçonaria às causas políticas e outros, a maioria,
que vêm a organização como uma entidade social quase que exclusivamente voltada
para a filantropia, mas que pouco consegue realizar, seja pela falta dos metais
(dinheiro), por ausência de força
política, ou mesmo por desinteresse de grupos
(Lojas) que não conseguem unir-se para o desenvolvimento dessas causas sociais.
No final de nosso século XX, o Brasil passa a viver momentos
turbulentos na política e no seu dia a dia. A corrupção, as improbidades
administrativas, o crime nas ruas, as drogas, passam a ser manchetes diárias
nos jornais. E na Maçonaria crescem movimentos não somente com o desejo de
lutar contra esses males mas também de criar ações para valorizar bens como a
educação, o trabalho e a família, esta a célula mais importante para a formação
e manutenção de um povo.
Para tanto, surge a necessidade de um melhor padrão de
recrutamento para os novos maçons. Observa-se
o desejo na busca de elementos que sejam bem colocados em suas áreas de atividades.
Que possuam o perfil de liderança e que estejam dispostos a fazer um pouco mais
pela sociedade sob o terno preto da Maçonaria.
Não podemos mais
viver dos louros de um passado cada vez mais remoto. As conquistas alcançadas
devem ser exaltadas, lembradas, gravadas, mas não podemos deixar de viver o
presente, de participar de forma ativa para a melhoria da sociedade, pois o
futuro depende de hoje e a Maçonaria tem que se reestudar, se fortalecer, se
adaptar aos novos tempos para que possa cumprir seu papel de tornar o mundo melhor.
O maçom do
próximo século XX será fruto de nossa atuação com vistas à reconstrução social
e cultural e a luta contra as mazelas e desigualdades que permeiam o início
desse século XXI.
Não acreditamos
que o futuro seja predeterminado pelo passado, vitorioso ou não, e nem mesmo
pelas condições vigentes. Entendemos que temos que construir esse futuro e para
tanto, o maçom, como homem livre e bons costumes, deve participar diretamente
neste processo.
São muitos os
desafios. Hoje somos reféns de planejamentos econômicos mal sucedidos e de políticos
inescrupulosos que infestam os poderes. A inflação ameaça e a diferença entre
ricos e pobres permanece em proporção inadmissível. A educação evolui numa taxa
mínima, digna de país de terceiro mundo. O meio ambiente não tem a atenção que
o mundo moderno cobra. O que fazer neste século para preparar o maçom do século
XXII?
Será que teremos
tempo suficiente para intervir nesses pontos críticos? Ou será que devemos
manter a posição de uma sociedade cultural e social, voltada para a filantropia
dos reféns de uma sociedade democrática em crise?
Cem anos é um
bom espaço de tempo. É suficiente para planejamentos de médio e longo prazo,
mas que não pode ser realizado se ficarmos “sentados em berço esplêndido”. A Maçonaria deve repensar seu rumo,
amadurecer suas ideias e buscar resultados imediatos e mediatos para a criação
de um futuro que parece longe mas que não é tanto assim.
A verdade é uma
só, vamos colher o que plantar, e temos que conhecer muito bem o solo e o que
se deve nele utilizar. Percebemos com a chegada de novos Aprendizes que existe
possibilidade de mudanças. Grupos de maçons já unem esforços para a
identificação de metas e propostas que vão além da ritualística e das
filantropias de pouco alcance.
É possível
observar o uso de técnicas mais elaboradas assim como o uso da informática e da
informação em nível bastante elevado, inclusive no caminho para a efetiva
participação na vida pública do país. É o caminho certo?
Como nação,
entendemos que nós, cidadãos, devemos ter nossos direitos expressos, assim como
o dever de participar no sistema político que deve estar preparado para
proteger esses direitos. É a essência da democracia, da luta pela proteção à
liberdade, de ir de encontro à vontade da maioria, do incentivo aos direitos
individuais e da proteção aos direitos humanos fundamentais.
E nesta linha de
pensamento, o maçom neste século XXI tem que se preparar para não para ser mero
coadjuvante, deverá entrar em cena como ator capaz de discutir e elaborar
propostas para as questões que abalam o país. É imprescindível conhecer os
mecanismos que levam o país para a inflação, a sua política social, como tratar
a pobreza, as drogas, educação e o meio ambiente, e para isso deverá também estar
preparado para ser um legítimo representante do povo, apoiado pela Maçonaria e presente
em todos os poderes de nossa República.
É uma visão que
não compete com as ações filantrópicas nem com o aprendizado em Templo, muito
pelo contrário, uma está ligada diretamente às outras que se unem para o bem da
sociedade. E se o maçom do século XXI
conseguir atingir a base desses objetivos, com certeza terá plantado o maçom do
século XXII, que poderá voltar a ter o papel principal de uma sociedade justa e
perfeita que tanto sonhamos.
J Neto.´.
Mar/15
domingo, 14 de setembro de 2014
POR QUE BODE?
Dentro
de nossa ordem, muitos desconhecem o nosso apelido de "bode". A
origem desta denominação data de 1808. Porém, pra saber o seu significado,
temos de voltar no tempo.
Por
volta do ano 30, vários apóstolos saíram pro mundo pra divulgar o cristianismo. Alguns foram pro
lado judaico da Palestina e, lá, notaram
que era comum ver um judeu falando
baixinho ao ouvido de um bode, animal muito abundante naquela região.
Procurando
saber o porquê daquele monólogo, foi
difícil obter resposta. Ninguém dava informações e, com isso, aumentava ainda
mais a curiosidade dos representantes cristãos em relação àquele fato, até que
Paulo, o Apóstolo, conversando com um rabino da aldeia, foi informado de que
aquele ritual era usado pra expiação (amargura) dos erros. Fazia parte da cultura
daquele povo contar a alguém, da sua confiança, quando cometia suas faltas,
mesmo às escondidas, acreditando, com isto que, se outros soubessem, ficariam mais aliviados junto à sua consciência, pois
estaria dividindo o sentimento ou problema. Mas, por que bode? Quis saber o
apóstolo. É porque o bode é seu confidente. Como bode não fala, o confessor
ficava ainda mais seguro de que seu
segredo seria mantido, respondeu-lhe o
rabino.
A
Igreja, 36 anos mais tarde, introduziu, em seu ritual, o confessionário,
juntamente com o voto de silêncio por parte do padre confessor. Nesse ponto, a
História não conta se foi o Apóstolo que levou a idéia aos seus superiores da
Igreja. O certo é que ela faz bem pra Humanidade. Com esse ato do
confessionário, aliado ao voto do silêncio, o povo passou a contar as suas faltas.
Atualmente,
com a confiança duvidosa em função dos escândalos por parte de alguns padres,
diminuíram os confessores e os confessionários, embora tenha aumentado o número de divãs de
psicanálise.
Voltemos a 1808, na França de Bonaparte que, após o golpe de *18 Brumário, se apresentava como um novo líder político daquele país. A Igreja, sempre oportunista, uniu-se a ele e começou a perseguir todas as instituições que não fossem do governo ou dela própria. Assim, a Maçonaria, que era fator pensante, teve todos os seus direitos suspensos e seus templos, fechados, sendo proibida de se reunir. Porém, irmãos de fibra, na clandestinidade, se reuniam, tentando modificar a situação do país.
Nesse período,
vários maçons foram presos pela Igreja e submetidos a terríveis inquisições;
porém, ela nunca encontrou um covarde ou delator entre os maçons. Chegou ao ponto
de um dos inquisidores dizer a seguinte frase aos seus superiores:
"Senhor, estes homens parecem Bodes: por mais que eu os flagele, não consigo arrancar-lhes
nenhuma palavra". Assim, a partir
desta frase, todos os maçons tinham, para seus inquisidores, a denominação de
"Bode", aquele que não fala,
que sabe guardar segredo.
(texto recebido pela Internet)
quinta-feira, 27 de março de 2014
O (novo) Mestre Maçom
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S
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abemos que nossa confraria possui uma estrutura hierárquica vertical,
rígida, modelo dos velhos sistemas tradicionais, característico da formação
militar e também dos reinados, que foram básicos na formação da Maçonaria. Atualmente, no mundo profano, as estruturas
estão cada vez mais horizontais, onde projetos são implementados e problemas
solucionados por equipes multifuncionais, onde cada membro contribui com sua
especialidade, tal como, por exemplo, nos times de futebol.
Com base nessa comparação, procuramos traçar um perfil para a figura do
Mestre Maçom, de um novo Mestre Maçom, que acima de tudo deve ser visto também como um líder que se compromete principalmente
a apoiar sua Loja e os projetos por ela definido.
O verdadeiro Mestre não se compromete apenas com os resultados, mas com
os irmãos em geral. Como Mestre que é,
deve ser capaz de transformar as intenções em ações, que por sua vez, traduzam em
resultados. Seu comportamento é fundamental para que Companheiros e Aprendizes
acompanhem as mudanças e transformações.
É um compromisso com a própria evolução da Loja e da Maçonaria em geral.
O (novo) Mestre não deve ser valorizado apenas pelo seu potencial
individual, mas acima de tudo pela capacidade de fazer com que os irmãos de sua
Loja desenvolvam o talento oculto em cada um. Diríamos que esse novo Mestre
está em formação na nossa Ordem. Ele não é necessariamente o Venerável Mestre
de sua Loja, mas alguém que saiba como orientar pessoas.
É verdade que na principal vertente de nossa Ordem impera o "manda
quem pode e obedece quem tem juízo",
e é normal que o próprio Venerável
Mestre alcance esta posição por contingências políticas ou por conhecer bem o
ambiente que o cerca, não lhe sendo necessário o papel de desenvolver pessoas,
pelo contrário, o cargo é um prêmio, e muitas das vezes, um reconhecimento à
sua capacidade de ser autoritário. Mas entendemos que faz-se necessário a busca
de um novo cenário. É preciso lutar para mudar esse estilo de atuação. É preciso reverter essa "fórmula de sucesso", o que infelizmente
sabemos não ser tão fácil.
Ao traçarmos esse pequeno perfil para o novo Mestre Maçom, na verdade
estamos apenas buscando ferramentas para lapidar nossos futuros líderes e
conseqüentemente, a evolução de da Loja e da própria Ordem. Sendo assim, relacionamos
algumas características, buscadas do mundo profano , que o novo Mestre deveria ,
ou melhor, deve observar:
•
Conhecer
cada Irmão de sua Loja. O verdadeiro Mestre, além da visão clara da
Ordem,
deve conhecer profundamente cada Irmão de sua Loja, que deve ser vista como uma
verdadeira equipe, isto é, como cada um poderá responder às exigências que se
fizerem necessárias;
•
Acompanhar
e orientar. Se o Mestre não der suporte e não acompanhar seus irmãos
(principalmente
Companheiros e Aprendizes) nos projetos de sua Loja, não será possível
cobrar
ou analisar o desempenho de cada um individualmente. Um Mestre que não apóia,
não orienta, não tem como cobrar credibilidade;
•
Profundo
respeito e vocação para lidar com os Irmãos (e com pessoas). Ser um
verdadeiro
Mestre é para poucos. Precisa saber valorizar os Irmãos (e as pessoas), gostar
de acompanhar, respeitar, dar suporte,
saber ouvir, ser humilde e estimular o desenvolvimento, sem se colocar como se fosse apenas um chefe.
•
Saber
pedir ajuda. Muitos Mestres têm medo de serem rotulados como incapazes,
pois aprenderam que pedir ajuda é falta
de habilidade, de competência. Historicamente, sempre valorizou-se quem sabe se
virar sozinho, hoje, devemos valorizar os que sabem dividir problemas e buscar
soluções conjuntas.
•
Ser
ético. Ser ético nada mais é do que agir direito, proceder bem, sem
prejudicar os outros. É ser altruísta. É estar tranqüilo com a consciência
pessoal e agir de acordo com os valores morais
de uma determinada sociedade.
Nós temos a obrigação de buscar um mundo melhor.
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
'Carta de uma senhora de 84 anos ao "Estadão".'.
Estou com vergonha do Brasil. Vergonha do governo, com esse impatriótico,
antidemocrático e antirrepublicano projeto de poder.
Vergonha do Congresso rampeiro que temos, das Câmaras que dão com uma mão
para nos surrupiar com a outra, políticos vendidos a quem dá mais.
Pensar no bem do País é ser trouxa.
Vergonha do dilapidar de nossas grandes empresas estatais, Petrobrás,
Eletrobrás e outras, patrimônio de todos os brasileiros, que agora estão a
serviço de uma causa só, o poder. Vergonha de juízes vendidos. Vergonha de
mensalões, mensalinhos, mensaleiros. Vergonha de termos quase 40 ministros e
outro tanto de partidos a mamar nas tetas da viúva, enquanto brasileiros
morrem em enchentes, perdendo casa e familiares por desídia de políticos, se
não desonestos, então, incompetentes para o cargo. Vergonha de ver a
presidente de um país pobre ir mostrar na Europa uma riqueza que não temos
(onde está a guerrilheira? era tudo fantasia?).
Vergonha da violência que impera e de ver uma turista estuprada durante
seis horas por delinquentes fichados e à solta fazendo barbaridades,
envergonhando-nos perante o mundo. Vergonha por pagarmos tantos impostos e
nada recebermos em troca - nem estradas, nem portos, nem saúde, nem
segurança, nem escolas que ensinem para valer, nem creches para atender a
população que forçosamente tem de ir à luta.
Vergonha de todos esses desmandos que nos trouxeram de volta a famigerada inflação.
Agora pergunto: onde estão os homens de bem deste país?
Onde está a Maçonaria? OAB? CNBB? LYONS? Onde estão os que querem lutar por um Brasil melhor?
Porque os congressistas, ao invés de instituírem Pena de Morte para assassinos e estupradores, lhes concedem Bolsa Presidiário?
Enquanto isso, grande parte do povo brasileiro, trabalha honestamente, pra ganhar menos do que aqueles que mataram e estruparam.
Isso, somente estimula a marginalidade!
Estou com muita vergonha do Brasil!
Por que tantos estão calados? Tenho 84 anos e escrevo à espera de um despertar que não se concretiza.
Até quando isso vai continuar? Até quando veremos essas nulidades que aí estão sendo eleitas e reeleitas?
Estou com muita vergonha do Brasil.
RUTH MOREIRA.
antidemocrático e antirrepublicano projeto de poder.
Vergonha do Congresso rampeiro que temos, das Câmaras que dão com uma mão
para nos surrupiar com a outra, políticos vendidos a quem dá mais.
Pensar no bem do País é ser trouxa.
Vergonha do dilapidar de nossas grandes empresas estatais, Petrobrás,
Eletrobrás e outras, patrimônio de todos os brasileiros, que agora estão a
serviço de uma causa só, o poder. Vergonha de juízes vendidos. Vergonha de
mensalões, mensalinhos, mensaleiros. Vergonha de termos quase 40 ministros e
outro tanto de partidos a mamar nas tetas da viúva, enquanto brasileiros
morrem em enchentes, perdendo casa e familiares por desídia de políticos, se
não desonestos, então, incompetentes para o cargo. Vergonha de ver a
presidente de um país pobre ir mostrar na Europa uma riqueza que não temos
(onde está a guerrilheira? era tudo fantasia?).
Vergonha da violência que impera e de ver uma turista estuprada durante
seis horas por delinquentes fichados e à solta fazendo barbaridades,
envergonhando-nos perante o mundo. Vergonha por pagarmos tantos impostos e
nada recebermos em troca - nem estradas, nem portos, nem saúde, nem
segurança, nem escolas que ensinem para valer, nem creches para atender a
população que forçosamente tem de ir à luta.
Vergonha de todos esses desmandos que nos trouxeram de volta a famigerada inflação.
Agora pergunto: onde estão os homens de bem deste país?
Onde está a Maçonaria? OAB? CNBB? LYONS? Onde estão os que querem lutar por um Brasil melhor?
Porque os congressistas, ao invés de instituírem Pena de Morte para assassinos e estupradores, lhes concedem Bolsa Presidiário?
Enquanto isso, grande parte do povo brasileiro, trabalha honestamente, pra ganhar menos do que aqueles que mataram e estruparam.
Isso, somente estimula a marginalidade!
Estou com muita vergonha do Brasil!
Por que tantos estão calados? Tenho 84 anos e escrevo à espera de um despertar que não se concretiza.
Até quando isso vai continuar? Até quando veremos essas nulidades que aí estão sendo eleitas e reeleitas?
Estou com muita vergonha do Brasil.
RUTH MOREIRA.
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