terça-feira, 14 de abril de 2026

O Quebrador de Pedras

O quebrador de pedras é uma figura simbólica frequentemente usada em parábolas e histórias morais para representar alguém comum, humilde, mas capaz de transformação. Apesar da simplicidade de sua tarefa, ele pode ser o centro de uma jornada de autoconhecimento e crescimento pessoal, como ilustrado em contos onde um simples trabalhador encontra significado ao cruzar com figuras importantes ou passar por experiências profundas. Essa figura destaca a ideia de que valor e propósito não dependem da posição social, mas da consciência e atitude diante da vida.

A fábula de Gustave Colbert (1819/1877) explora a insatisfação humana e o desejo constante por mais. Um homem quebra pedras para sobreviver, mas sente inveja dos ricos e poderosos. Com um toque mágico, transforma-se neles — mas nunca encontra paz. A história reflete sobre a natureza do contentamento e os perigos da ambição desenfreada. 

Era uma vez um simples quebrador de pedras que estava insatisfeito consigo mesmo e com sua posição na vida. Um dia, passou diante de uma rica casa de um comerciante. Através do portal aberto, viu muitos objetos valiosos e luxuosos, além de importantes figuras que frequentavam a mansão. 

“Quão poderoso é este mercador!”, pensou o quebrador de pedras, sentindo inveja e desejando ser como o comerciante. 

Para sua grande surpresa, repentinamente tornou-se o comerciante, usufruindo mais luxos e poder do que jamais tinha imaginado, embora fosse invejado e detestado pelos menos poderosos e ricos que ele. 
Certo dia, um alto oficial do governo passou à sua frente na rua, carregado em uma liteira de seda, 
acompanhado por submissos atendentes e escoltado por soldados que batiam gongos para afastar a multidão. Todos, não importando quão ricos, tinham que se curvar à sua passagem. 

“Quão poderoso é este oficial!”, pensou. “Gostaria de poder ser um alto oficial!” 
Então ele se tornou o alto oficial, carregado em sua liteira de seda para qualquer lugar que fosse, temido e odiado pelas pessoas a sua volta. Como era um dia de verão quente, o oficial sentiu-se muito desconfortável na suada liteira de seda. Olhou para o sol. Este fulgia orgulhoso no céu, indiferente a sua reles presença abaixo. 

“Quão poderoso é o Sol!”, ele pensou. “Gostaria de ser o Sol!” 
Então tornou-se o Sol. Brilhando ferozmente, lançando seus raios para a Terra, sobre tudo e todos, 
crestando os campos, amaldiçoado pelos fazendeiros e trabalhadores. Mas, um dia, uma gigantesca nuvem negra ficou entre ele e a Terra. E seu calor não mais pode alcançar o chão e tudo que havia sobre ele. 

“Quão poderosa é a nuvem de tempestade!”, ele pensou. “Gostaria de ser uma nuvem!” 
Então tornou-se a nuvem, inundando com chuva campos e vilas, causando temor a todos. Mas, 
repentinamente, ele percebeu que estava sendo empurrado para longe com uma força descomunal. Era o vento que fazia isso. 

“Quão poderoso é o vento!”, ele pensou. “Gostaria de ser o vento!” 
Então tornou-se o vento de furacão, soprando as telhas dos telhados das casas, desenraizando árvores, 
temido e odiado por todas as criaturas da Terra. Mas, em determinado momento, encontrou algo que não foi capaz de mover nem um milímetro, não importasse o quanto ele soprasse em sua volta, lançando rajadas de ar. Assombrado, viu que o objeto era uma grande e alta rocha. 

“Quão poderosa é a rocha!”, ele pensou. “Gostaria de ser uma rocha!” 
Então tornou-se a rocha. Mais poderoso do que qualquer outra coisa na terra, eterno, imóvel. Mas, 
enquanto estava lá, orgulhoso de sua força, ouviu o som de um martelo batendo em um cinzel sobre uma dura superfície, e sentiu a si mesmo sendo despedaçado. 

“O que poderia ser mais poderoso do que uma rocha??!!”, pensou, surpreso. 

Ele olhou para baixo de si e viu a figura de um quebrador de pedras. 


O Quebrador de Pedras foi encaminhado pelo Confrade Roberto Gonçalves.


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