segunda-feira, 6 de abril de 2026

SÓ LHE DÃO

 Só lhe dão paz, centros dos furacões 

Só lhe dão falso sossego, inépcia do fim

Só lhe dão desânimo, súbita decrépitude 

Só lhe dão perplexidade,

Íngreme desfiladeiro

Só lhe dão aflição, despencada descida

Só lhe dão angústia, sonhos não infinitos 

Só lhe dão lamuria, desvairada dvecisões

Só lhe dão provações, desenganos mil

Solidão, agruria do velho existir senil.


Confrade João Galvíncio Ribeiro

terça-feira, 31 de março de 2026

O Convite e a Chave

Houve um tempo em que a porta não se abria com facilidade. Não porque estivesse trancada com mais voltas de chave, mas porque quem se aproximava dela já trazia, no próprio caráter, o formato exato da fechadura.

O convite não era um gesto social. Era quase um reconhecimento silencioso, como dois viajantes que se cruzam numa estrada antiga e, sem palavras, sabem que seguem o mesmo destino. Ninguém “queria entrar”. Era chamado. E, mais importante, era digno de ser chamado.

Hoje, porém, a porta continua ali… mas algo mudou no modo como se bate.

Vejo irmãos preocupados com cadeiras vazias, colunas rarefeitas, templos que ecoam mais memória do que presença. E, na tentativa de reacender a chama, flexibiliza-se o crivo, suaviza-se o olhar, acelera-se o processo. O convite, que antes era lapidado no tempo e na observação, passa a ser, por vezes, uma solução imediata para um problema estrutural.

Mas a Ordem nunca foi quantidade. Sempre foi densidade.

O erro não está em abrir a porta. Está em esquecer por que ela existe.

Quando o convite deixa de ser consequência de convivência e passa a ser estratégia de crescimento, algo sutil se perde. Entram homens interessados, mas nem sempre comprometidos. Curiosos, mas não necessariamente buscadores. E há uma diferença imensa entre quem deseja conhecer os símbolos e quem aceita ser transformado por eles.

A Iniciação, por mais perfeita que seja em sua liturgia, não corrige intenções. Ela revela. Amplifica. Expõe o que já está ali. E quando o alicerce não é sólido, a construção pode até subir… mas não sustenta o tempo.

Não se trata de nostalgia de “tempos melhores”. Trata-se de lembrar que certos princípios não envelhecem. O rigor no convite nunca foi um capricho elitista, mas uma proteção silenciosa da própria essência da Ordem.

Talvez o caminho não esteja em convidar mais… mas em observar melhor.

Voltar a enxergar o homem antes do candidato. O caráter antes da disponibilidade. O silêncio antes do entusiasmo.

Porque, no fim, a verdadeira pergunta nunca foi: “Quem queremos trazer?”

Mas sim: “Quem, entre os que já caminham ao nosso lado, já carrega em si a chave?”

E essa chave… nunca se fabrica. Apenas se reconhece.

sexta-feira, 4 de novembro de 2022

O Homem-maçom

 A maçonaria procura ensinar a seus iniciados virtudes do espírito maçônico, como a tolerância, a prudência e a luta pela liberdade, igualdade e fraternidade, buscando a justiça contra o mal e a mentira.  É a busca da perfeição, caracterizada pelos rituais e nas promessas de ações dignas e confiáveis.

O homem-maçom porém não é um ser perfeito.  Na verdade é apenas um homem, que embora iniciado, e desta forma considerado mais preparado para a vida, está constantemente sujeito aos vícios e fraquezas do mundo profano e, em muita das vêzes seu comportamento contraria profundamente os ideais maçônicos.

O homem-maçom não pode levar para seu Templo as angústias de suas atitudes profanas.  Não pode deixar que as colunas do Templo se abalem diante de suas dificuldades e dos momentos mais difíceis.  Deve ser forte, sincero e buscar nos ensinamento da Grande Arte, as ações e palavras que o dignifique, e que junto a seus irmãos, numa grande Cadeia de União, possa absorver os ensinamentos necessários para superar as adversidades e armadilhas do mundo profano.

A Loja é na realidade um pequeno estado, sujeito a leis e obrigações que buscam organizar a vida do maçom, preparando seu espírito e dando armas para sua evolução, de tal forma que o homem-maçom possa estar sempre firme na interminável luta entre o bem e o mal.

Quando o homem se perde, deixando que suas fraquezas superem as virtudes.  Que o vício, a mentira, o egoísmo ou mesmo a vaidade, o faça enfrentar seus semelhantes, irmãos ou não, ele não está apenas se perdendo, está acima de tudo traindo os ideais da Órdem, e portanto sujeito às penalidades necessárias para a manutenção e purificação do meio ambiente.

Portanto uma Loja, acima de tudo deve ser unida. Seus obreiros devem cultuar o espírito maçônico, superando os desafios profanos e ajudando uns aos outros, como homens e maçons.  Deve ser ainda cautelosa, maçônica em suas atitudes, e saber escolher para suas colunas, homens verdadeiramente livres e de bons costumes, que serão iniciados em homens-maçons e que certamente ajudarão na construção e na harmonia do seu próprio Templo.

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sábado, 28 de novembro de 2020

Fidel Castro foi salvo pela Maçonaria?

 

Fidel Castro foi salvo pela Maçonaria?

 

Este fato teve destaque em boa parte da  imprensa internacional, quando Fidel Castro foi preso por Fulgêncio Baptista. Dizem que quando prendia seus “inimigos”, Fulgêncio tinha o enorme prazer de não os executar de imediato. Que apreciava deixar os prisioneiros das guerrilhas, pelo menos 24 horas sem água e sem comida, que torturava os “inimigos” sem piedade, para então na manhã seguinte, fuzilá-los.

O que aconteceu:

Sabemos que os Maçons estão espalhados por todo o mundo, nas mais variadas profissões , classes sociais e partidos políticos, com bastantes limitações nos países totalitários. Neste sentido há uma exceção que realmente confirma a regra da Lealdade Maçônica. Em Cuba a Maçonaria funciona livremente desde a revolução no ano de 1959 , e manteve sempre excelentes relações com o Governo de Fidel Castro, esta exceção deve-se a um fato narrado em grande parte da imprensa internacional pelo próprio líder Cubano, quando ele, (Fidel) e mais dois companheiros de guerrilha foram aprisionados pelas tropas de Fulgêncio Baptista.

No momento, nem os próprios inimigos imaginavam que entre os três estava Fidel Castro e decidiram fuzilá-los na manhã seguinte como prisioneiros COMUNS. Um dos revolucionários era Maçom, e naquela mesma noite durante o julgamento dos três fez um sinal de reconhecimento de uso exclusivo daqueles iniciados no movimento.

Nas forças de Baptista, o tenente encarregado do fuzilamento dos três, reconheceu os sinais, e durante a madrugada veio conversar com eles, facilitando a sua fuga e também a de seus camaradas, poupando-os à morte, e livrando também aquele que seria o principal líder da revolução Cubana.

No meio do caminho, durante a fuga, Fidel Castro, incrédulo quis saber porque é que um inimigo, encarregado do fuzilamento dos três, veio de madrugada, e após conversar com um dos seus camaradas, o libertou e aos seus amigos.

O companheiro de guerrilha explicou-lhe que aquele tenente era Maçom, e os tinha libertado pelo ideal de fraternidade, indissolúvel da irmandade, que fica sempre acima das ideologias.

Adaptado de Autor desconhecido

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

TEM GOTEIRA NO SALÃO


- Cuidado, tem goteira no salão.
Qual Maçom que nunca ouviu essa frase? Mas muitos, principalmente entre os Aprendizes, questionam a origem do termo. Por que “goteira”?
A Maçonaria é movida por lendas e histórias, algumas escritas e outras apenas faladas. E a mais aceita para o significado de “goteira”, remonta às tabernas do século 18. Estas eram os locais preferidos para a reunião de grupos seletos, fechados, secretos, e claro, dos maçons.
As tabernas eram estabelecimentos comerciais, que normalmente também serviam de casa para seus donos, e que nos fundos, em salas fechadas, diversos grupos, cada um com sua ritualística, se reuniam em relativa segurança.
E para os historiadores, em geral, a denominação de Loja (Maçônica) vem dessa situação, ou seja, corresponde ao local (as salas) utilizado para “alojar” os maçons e não para o estabelecimento comercial (as tabernas).
A constatação dessa linha de pensamento estaria nos próprios termos utilizados para a denominação de Loja Maçônica nas principais línguas que influenciaram na construção da Maçonaria Simbólica, como a conhecemos nos dias de hoje.
Uma observação interessante, é de que, diferentemente dos termos utilizados nas línguas francesa (loge), italiana (loggia), espanhola (logia), inglesa (lodgeI) e alemã (loge), onde todos representam lugares para acomodação, ou seja, cômodos, casas de caseiro, cabana, ou mesmo um quarto de repouso, loja, no Brasil, tem um significado ligado ao comércio, o que nos leva a uma afirmação de que o termo mais correto para os locais de nossas sessões não seria Loja Maçônica e sim Alojamento Maçônico.  Mas isso é uma outra história.
- E os “goteiras”? Como chegaram?
As reuniões nas salas reservadas das tabernas, tinham que ter segurança, com proteção, e para tanto, os maçons daquela época utilizavam uma dupla proteção.  No interior da sala onde se reuniam, ficava o “Cobridor”, um guarda com espadas em punho, e o responsável pelo acesso ao local das reuniões. Sua denominação veio do fato de que aquele local era fechado e coberto, e claro não poderiam existir goteiras, termo que passou a ser utilizado para definir os profanos curiosos, bisbilhoteiros (cowan), que ficavam encostados nas paredes das tabernas para tentarem escutar o que se falava naquelas salas misteriosas para eles. Quando pegos, eram colocados sob uma calha, debaixo das goteiras formadas pelas águas das chuvas, ou simplesmente molhados, até ficarem totalmente encharcados.
E para garantir que os visitantes que chegavam para as reuniões não eram “goteiras”, e que mesmo se fossem maçons, estariam qualificados para o nível da reunião (de Aprendizes ou Mestres – Companheiro é um Grau que veio depois), o guarda externo, conhecido como “Trolhador” , palavra que tem origem na atividade profana de telhar, ou seja, de “colocar telhas nas coberturas e garantir que não tenham goteiras nos locais das reuniões”, fazia a verificação por meio de palavras, sinais e toques, além de um conjunto de perguntas, com respostas somente conhecidas por maçons, e que recebeu a denominação de “telhamento”.  Nos dias atuais, e na maioria dos ritos, a função de “Tolhador”, é executada pelo Irmão Experto.
 
E pela riqueza das histórias que envolvem a Maçonaria, desde a fase operativa até a simbólica dos dias de hoje, outras explicações deverão existir, tanto para os termos aqui descritos quanto para diversos outros existentes em nossa Ordem, mas devemos ter muito cuidado, pois atualmente existe um número grande de “goteiras”  que escrevem distorções e fantasias a respeito da Maçonaria em geral.